Seu turnover é alto ou baixo? Você não tem como saber sozinho.
Medir turnover, salário e absenteísmo contra uma meta interna não diz se você está bem ou mal. O único parâmetro honesto é o mercado real do seu setor.
Toda empresa acompanha alguns números de pessoas. O turnover do trimestre, o salário médio por área, a taxa de absenteísmo. O gestor abre o relatório, compara com o mês anterior, confere se bateu a meta que definiu no começo do ano e conclui: estamos bem, ou estamos mal. Sensação de controle.
O problema é que essa conclusão se apoia num parâmetro frágil, uma meta que a própria empresa inventou. E uma meta interna não sabe nada sobre o mundo lá fora.
A meta interna é um espelho que você mesmo pintou
Metas internas nascem do histórico da própria empresa ou da intuição de quem as define. "No ano passado o turnover foi 30%, então a meta deste ano é 25%." Parece razoável. Mas essa conta não responde à única pergunta que importa: 25% é bom?
Um turnover de 3% ao mês pode ser excelente num setor e alarmante em outro. Um salário que parece competitivo na planilha pode estar abaixo do que o concorrente da mesma rua paga pela mesma função. Um absenteísmo que aparenta normal pode ser o dobro do praticado na sua região. Sem um ponto de referência externo, a empresa se mede contra um espelho que ela mesma pintou. Sente que está na luz, mas decide no escuro.
As perguntas que ficam sem resposta
Enquanto a régua for interna, as perguntas mais valiosas continuam em aberto. Eu perco gente mais rápido que quem disputa os mesmos profissionais que eu? Pago acima ou abaixo do mercado da minha região, para a minha atividade? O meu absenteísmo é um problema meu, ou é do setor inteiro neste momento? O meu custo de pessoas cresce porque eu gerencio mal, ou porque o mercado inteiro está pressionado?
Nenhuma dessas perguntas se responde olhando para dentro. Todas exigem um lado de fora. Sem comparação, o número sozinho é ambíguo: pode ser uma conquista ou um alerta, e você não tem como distinguir os dois.
O único parâmetro honesto é o mercado real
Existe um único parâmetro que faz sentido de verdade: o mercado real do seu setor e da sua região. Não a média nacional genérica, não o achismo repetido em evento, mas o retrato de quem contrata, paga e desliga perto de você, na sua atividade.
A diferença entre esses dois mundos é enorme. A média nacional mistura uma rede de supermercados do interior com uma fintech da capital, e o resultado não descreve nenhuma das duas. O que descreve a sua realidade é o recorte fino: a sua atividade econômica específica e a sua região.
O dado sempre existiu, faltava cruzar
Aqui vem a parte que surpreende muita gente: esse retrato do mercado já existe, é oficial e é público.
O Brasil mantém bases que registram o mercado formal de trabalho com um detalhe que poucos países têm. O Novo CAGED registra as admissões e os desligamentos mês a mês, o que permite ver o ritmo de contratação e de saída de cada setor quase em tempo real. A RAIS consolida o retrato anual dos vínculos formais, com remuneração e função, o que permite entender faixas salariais reais por atividade. E o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho, da Previdência Social, mapeia a sinistralidade por setor, o que dá base para comparar saúde e segurança.
São dados oficiais, atualizados e abertos. O que faltava nunca foi o dado. Faltava cruzar esse dado com os números da sua empresa, no recorte certo.
Por que a média nacional engana
Um número de mercado só vira espelho quando é recortado como a sua empresa é. Dois cortes fazem toda a diferença.
O primeiro é o setor, pelo seu CNAE, a classificação da sua atividade econômica. O turnover de um supermercado não deve ser comparado ao de uma indústria química, são dinâmicas de trabalho completamente diferentes. O CNAE garante que você se compara com quem faz o que você faz.
O segundo é a região, pela malha geográfica do IBGE. O mercado de trabalho de uma capital não é o de uma cidade média do interior. Salário, disponibilidade de mão de obra e rotatividade mudam com a geografia. Comparar na sua região é comparar com quem disputa exatamente os mesmos profissionais que você, na mesma praça.
Com esses dois cortes, a comparação deixa de ser curiosidade estatística e vira régua útil.
O mesmo número, dois significados
Um exemplo torna isso concreto. Pegue dois gestores, um no varejo e um na indústria, os dois olhando para o mesmo turnover mensal. Suponha que os dois vejam 4%.
Para o gestor do varejo, onde a rotatividade de frente de loja é estruturalmente alta, 4% ao mês pode estar dentro do normal do setor, ou até abaixo, um sinal de que a operação retém melhor que a média. Para o gestor da indústria, onde os vínculos tendem a ser mais longos e a mão de obra mais especializada, o mesmo 4% pode ser um alarme, indicando perda de gente muito acima de quem disputa os mesmos profissionais.
Mesmo número, dois significados opostos. A diferença não está no dado interno, que é idêntico. Está no parâmetro externo. Sem ele, os dois gestores olham para o 4% e não sabem se comemoram ou se preocupam.
De "esse número é bom?" para "bom para quem?"
Quando você coloca o seu número ao lado do número do mercado, tudo muda de sentido. O turnover deixa de ser medido contra uma meta arbitrária e passa a ser lido contra a realidade. O salário deixa de ser opinião e vira posição relativa, você sabe se está acima ou abaixo da faixa da sua praça. O absenteísmo deixa de ser um susto isolado e ganha contexto. E o ritmo de contratação do seu setor vira informação de planejamento: se o mercado está acelerando as admissões, a disputa por talento vai apertar, e você pode se antecipar.
Você para de perguntar "esse número é bom?" e passa a saber se ele é bom para o seu setor, na sua região. É uma pergunta melhor, e leva a decisões melhores.
A régua que faltava
É exatamente esse cruzamento, entre os dados internos da empresa e o mercado formal do seu setor e da sua região, que a Orway, plataforma de People Intelligence, passou a entregar. Não como estimativa, mas com base nas fontes oficiais, recortado pelo seu CNAE e pela sua região. O seu número, ao lado do número do mercado.
Porque decidir sobre pessoas sem saber onde você está em relação ao mercado é como dirigir olhando só para o painel, sem nunca olhar para a estrada.
Se quiser continuar recebendo análises como esta, assine o Orway Insights. Toda semana, um novo ângulo sobre o que os dados de pessoas revelam sobre o seu negócio.